"Castanha Transmontana - como ela não há igual"
Mário Silva Mário Silva
"Castanha Transmontana - como ela não há igual"

A fotografia de Mário Silva é um close-up vertical que celebra a colheita da castanha, capturando um cesto rústico repleto dos frutos no solo do souto.
.
O elemento central é um cesto de verga ou vime tecido, de formato tradicional e com uma pega larga de madeira clara.
No interior do cesto, repousa uma abundância de castanhas maduras.
As castanhas são de cor castanho-avermelhada intensa e brilhante, com a ponta clara, e parecem ser de um calibre considerável, prontas para serem preparadas.
.
O cesto está assente numa mistura de terra e erva verde-escura, com manchas de terra mais exposta no primeiro plano.
Ao fundo, espalhados pela relva e sobre um trecho de terra batida, são visíveis alguns ouriços (as cascas espinhosas da castanha) em tons de castanho-claro, já abertos e vazios, confirmando o local da apanha.
A luz incide suavemente, destacando as cores ricas das castanhas e a textura da verga.
.
A Castanha Transmontana: Um Tesouro do Outono, Sabor e Identidade
O título da fotografia, "Castanha Transmontana - como ela não há igual", é uma afirmação que resume o orgulho e a reverência que a região de Trás-os-Montes nutre por este seu fruto.
A castanha não é apenas um produto agrícola; é uma pedra angular da cultura, da história e da paisagem transmontana.
.
A Excelência da Terra o Fruto Superior
Trás-os-Montes, com o seu clima continental (invernos rigorosos e verões quentes) e solos graníticos ácidos, oferece o terreno ideal para o cultivo do castanheiro (Castanea sativa).
Esta combinação resulta em castanhas de qualidade excecional, reconhecidas pela Indicação Geográfica Protegida (IGP) "Castanha da Terra Fria", que abrange variedades notáveis como a Longal e a Judia.
.
A superioridade da castanha transmontana reside em várias características que a tornam "sem igual":
Sabor e Textura: Possuem um sabor inconfundível, doce e intenso, e uma textura farinhenta e pouco fibrosa, ideal para assar, cozer ou para a produção de farinha e doces.
Calibre: Frequentemente, o seu calibre é superior, o que a torna altamente valorizada nos mercados nacional e internacional.
.
O "Pão da Serra" e a Tradição da Sobrevivência
Historicamente, a castanha foi vital.
Antes da disseminação da batata e do milho, servia como a principal fonte de alimentação das populações serranas, valendo-lhe o nome de "pão da pobreza".
Era consumida de múltiplas formas — fresca, cozida, assada ou seca para ser guardada durante o inverno.
.
A fotografia, ao mostrar o cesto cheio, simboliza a recompensa do trabalho e a garantia da sobrevivência da comunidade.
A apanha, frequentemente associada ao Magusto (celebrado por São Martinho), transformava-se num ritual de convívio e partilha, reforçando os laços sociais no souto.
.
Um Futuro na Modernidade
Hoje, o castanhal transmontano é encarado com um novo valor económico, fornecendo matéria-prima para a indústria de ultracongelados e para a gastronomia de alta cozinha.
O cesto na relva, assim, representa a coesão entre o passado rústico e um futuro próspero, garantindo que a castanha continue a ser o orgulho e o sabor inigualável de Trás-os-Montes.
.
Texto & Fotografia: ©MárioSilva
.
.

