O Bosque Despido (poema)
Mário Silva Mário Silva
O Bosque Despido

De tronco esguio, erguido ao frio,
Veste o carvalho a nudez crua,
E a floresta, num mar vazio,
Espera a folha que recua.
.
A rede de ramos ao alto,
Desenha o céu limpo e distante,
Um véu tecido em desalento,
De um inverno que é gigante.
.
No chão dorme a cor de castanho,
A seda que o outono teceu,
Tudo em repouso, tudo estranho,
A glória que em pó se perdeu.
.
Caminha o olhar pela linha,
Dos troncos que o tempo deixou,
A lição que a seiva ensina,
Na força que a vida guardou.
.
Haverá um sol, uma prece,
Que chame a folha e o verde-novo,
E a vida que sempre acontece,
No chão deste humilde povo.
.
Aguarda a terra, em paz serena,
O beijo da chuva que venha,
E o bosque, na sua cena plena,
Será de novo um ninho e lenha.
.
Poema & Fotografia: ©MárioSilva
.
.

