"Não é uma Aldeia qualquer ... é Águas Frias"
Mário Silva Mário Silva
"Não é uma Aldeia qualquer ... é Águas Frias"

A fotografia "Não é uma Aldeia qualquer... é Águas Frias" de Mário Silva capta uma vista panorâmica de uma aldeia aninhada numa paisagem rural.
Em primeiro plano, uma cerca rústica e vegetação verde enquadram o cenário.
A aldeia é composta por casas de diferentes cores, com telhados de cerâmica, espalhadas por uma colina.
A paisagem é dominada por uma vasta área arborizada e montanhosa no horizonte.
A fotografia é tirada num dia de poucas nuvens e a luz do sol realça as cores vivas das casas.
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A Lenda de Águas Frias
Há muito, muito tempo, quando as montanhas de Verín, na Espanha, eram ainda mais altas e o rio corria com mais força, existia uma aldeia que vivia sob uma maldição.
Era a "Aldeia das Águas Quentes", e a sua maldição era a falta de água.
Os rios estavam secos, as colheitas morriam e o povo sofria.
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Um dia, um viajante, um antigo peregrino, chegou à aldeia.
Ele, que tinha percorrido os caminhos de Santiago, tinha ouvido falar da maldição.
Ele disse ao povo:
- O vosso coração está cheio de ganância. O vosso amor é por ouro, não pela terra.
E disse-lhes que a única forma de quebrar a maldição era encontrar a fonte de "águas frias", uma fonte lendária que, segundo a lenda, se encontrava no coração da floresta.
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O povo riu-se do viajante.
Eles não acreditavam em lendas.
Mas o seu coração estava endurecido pela falta de água.
No entanto, uma jovem, de coração puro, que não tinha ganância, acreditou na lenda.
Ela, que tinha visto a sua família a sofrer, decidiu procurar a fonte.
A fotografia de Mário Silva, com as suas cores vibrantes e a sua beleza, capta o seu espírito.
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Ela entrou na floresta, aquela floresta densa e sombria que o fotógrafo capturou no horizonte.
Ela andou por dias, sem comer, sem beber, apenas com a esperança de encontrar a fonte.
Ela não tinha medo, pois o seu amor pela família e pelo seu povo era mais forte que o seu medo.
Ela não desistiu.
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E, num dia, quando a sua esperança estava quase a acabar, ela viu.
Não era uma fonte de água, mas uma fonte de luz.
Uma luz que brilhava por entre as árvores e que a chamava.
Ela seguiu a luz e chegou a uma clareira.
No centro da clareira, havia uma pequena fonte.
A água, límpida e fresca, parecia ter um brilho próprio.
Ela bebeu, e sentiu uma paz que nunca tinha sentido.
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A jovem voltou à aldeia e contou a sua história.
O povo, que tinha sofrido, finalmente acreditou.
Eles foram à fonte e beberam da água, e a sua ganância desapareceu, substituída pela bondade.
E, a partir desse dia, a maldição foi quebrada.
O rio voltou a correr, as colheitas voltaram a crescer, e a aldeia prosperou.
E a aldeia, que antes era conhecida como a "Aldeia das Águas Quentes", passou a ser conhecida como Águas Frias, uma homenagem à jovem corajosa e à sua fé.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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