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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

28
Jul25

"A Aldeia e os idosos resistentes" (Águas Frias - Chaves - Portugal) e uma estorieta


Mário Silva Mário Silva

"A Aldeia e os idosos resistentes"

(Águas Frias - Chaves - Portugal)

... e uma estorieta

28Jul DSC01999_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "A Aldeia e os idosos resistentes" (Águas Frias - Chaves - Portugal), apresenta um sinal de trânsito e uma placa de localidade, enquadrados por uma vegetação luxuriante e um pouco selvagem.

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Em primeiro plano, destaca-se uma placa retangular branca com a inscrição em letras pretas maiúsculas: "Águas Frias".

Esta placa está fixada em dois postes de metal, sugerindo a entrada da localidade.

Acima desta, num poste mais alto, encontra-se um sinal de perigo triangular, com uma orla vermelha.

O interior do triângulo é branco e mostra a silhueta de dois idosos: um homem com uma bengala e uma mulher, caminhando juntos.

Este sinal alerta os condutores para a presença de pessoas idosas na via, uma característica comum em zonas rurais com populações envelhecidas.

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O fundo da imagem é preenchido por uma densa vegetação, composta por arbustos de folhagem verde escura à esquerda e, à direita, uma mistura de fetos e ervas mais altas em tons de verde e castanho, indicando um ambiente natural e, talvez, um pouco menos cuidado.

A luz do sol incide sobre a vegetação, criando alguns brilhos e sombras.

A fotografia, com a combinação dos sinais e do ambiente natural, evoca a quietude das aldeias, a passagem do tempo e a persistência das suas comunidades mais idosas.

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A Estória Realista: A Resiliência de Águas Frias

Em Águas Frias, uma pequena aldeia encaixada nas terras altas de Chaves, a vida parecia fluir ao ritmo lento das suas gentes mais velhas.

A fotografia de Mário Silva capturava não só a entrada da aldeia, mas a sua própria alma: um sinal de trânsito alertando para a presença de idosos e uma vegetação que, tal como os seus habitantes, resistia teimosamente ao esquecimento.

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Marinela, com os seus oitenta e muitos anos, era uma das figuras mais emblemáticas daquele sinal.

Todos os dias, fizesse sol ou chuva, ela e o seu amigo Joaquim, um septuagenário com uma bengala de madeira que parecia parte da sua própria história, desciam a estrada principal para ir à fonte buscar água ou simplesmente para "esticar as pernas", como diziam.

O sinal, para eles, não era um aviso, mas um reconhecimento, uma espécie de medalha de honra.

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- Olha lá, Joaquim - disse Marinela um dia, enquanto se aproximavam do sinal. "

- Ainda cá estamos, a dar trabalho aos motoristas apressados!

Joaquim riu, um riso rouco que vinha das profundezas do seu peito.

- E hão de cá estar por muitos anos, Marinela. Somos as raízes desta terra, não somos?

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Águas Frias, como tantas aldeias do interior de Portugal, via os seus jovens partirem.

Os campos, outrora cultivados com esmero, davam agora lugar à vegetação selvagem que invadia as margens da estrada, tal como na fotografia.

As casas, muitas delas fechadas e com persianas a meio, contavam a história de famílias que tinham partido em busca de uma vida melhor.

Mas Marinela e Joaquim, e outros como eles, recusavam-se a abandonar.

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A sua resistência não era uma luta contra o progresso, mas uma teimosa afirmação de vida.

Continuavam a cultivar as suas pequenas hortas, a cuidar dos seus castanheiros, a encontrar consolo nas conversas à porta e no calor do sol de Trás-os-Montes.

As suas rugas eram mapas de vidas vividas com intensidade, e os seus passos lentos, mas firmes, eram a pulsação da aldeia.

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Um dia, uma equipa da televisão veio a Águas Frias para fazer uma reportagem sobre o despovoamento do interior.

Entrevistaram Marinela e Joaquim junto ao sinal.

- Não se sentem sós? - perguntou a jornalista, com um ar compadecido.

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Marinela olhou para Joaquim, depois para o sinal, e para as árvores robustas que os rodeavam.

- Sós? - respondeu, com um brilho nos olhos.

- Sóis estamos nós quando nos esquecemos de quem somos. Aqui, temos a terra, temos as memórias, e temos uns aos outros.

- E este sinal?

- Este sinal é para lhes lembrar que ainda cá estamos, a guardar as nossas águas frias, e que não é preciso andar tão depressa para se chegar a algum lado.

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Joaquim assentiu, encostado à sua bengala.

- A vida tem o seu próprio ritmo, menina. E o nosso é o ritmo desta aldeia. Lento, sim, mas cheio de vida, como as árvores que voltam a crescer nos campos abandonados.

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A reportagem foi para o ar, e a imagem de Marinela e Joaquim junto ao sinal de "idosos resistentes" tocou muitos corações.

Não era uma história de tristeza, mas de uma resiliência serena, de uma teimosia em florescer onde a vida parecia recuar.

Em Águas Frias, a resistência não era um grito, mas um sussurro contínuo, a certeza de que a dignidade da velhice e o amor pela terra natal eram as verdadeiras fontes de vida, tão claras e refrescantes quanto as águas que davam nome à aldeia.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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