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MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

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28
Fev09

Águas Frias (Chaves) - Memórias e Actualidade do Carnaval


Mário Silva Mário Silva

 
“Carne Vale”
Das minhas memórias, de há mais de 27/28 anos, dos festejos do Carnaval de Águas Frias, penso que, infelizmente, somente resiste a tradição da “Carne Vale”.
 
Memórias:
Vou reportar-me há 27/28 anos atrás. Tinha eu conhecido uma filha da Terra e decidi deixar a “cidade” e ver “in loco” as descrições pormenorizadas dos festejos carnavalescos nesta pequena e bela Aldeia transmontana.
 
O meu imaginário podia agora tornar as imagens "criadas" em imagens reais.
 
Reinava movimento de pessoas nas ruas e ouvia-se o som dos chocalhos, “pedidos emprestados” às ovelhas ou vacas e que agora, atados às cinturas dos “caretos”.
 
Estes “caretos” cobriam todas as partes do corpo (só deixando os olhos à vista) com todo o tipo de roupa velha, muitas vezes peças sobrepostas a outras, tornando quase impossível reconhecer quem estava dentro de tal indumentária.
 
Claro, que todos (menos eu) tentavam adivinhar, conjecturando, que era este ou era aquele, pela maneira de andar, correr, pelos movimentos dos braços, …
 
Conjecturava-se, mas certezas,… quase nenhumas.
 
Os caretos além de se fazer anunciar com os chocalhos, andavam em correria pelas ruas da Aldeia, munidos de vasto “material carnavalesco”: cintos/correias de couro ou peles secas de coelho que brindavam com eles, naqueles que os atiçavam, correndo à sua volta.
 
Era quase o jogo do gato e do rato.
Os caretos tentando atingir, em altas correrias, com as correias e peles de coelho secas os que “apanhavam” e outros “tentando-os” e fugindo (correndo pelas ruas, calhelhos, subindo escadas e escondendo-se nas varandas).
...................
 
Enquanto tudo isto acontecia, eis que o “citadino”, em passo lento, “bebendo” toda esta animação, se dirigia descontraído, atravessando o Conselho (núcleo de toda esta movimentação) dirigindo-se ao Café Pires para tomar o seu cafezito (ou “cimbalino” como ainda se dizia lá pelo Porto), e eis que enquanto observava um dos caretos, ao fundo da rua Central, é brindado com duas “cinturadas” com a pele de coelho.
 
Nem lhe valeu o casaco de couro que, na altura levava, para almofadar as “pancadas”.
 
Não foi com violência desmesurada, mas deu para sentir um formigar nas costas.
.......................
 
 Foi esse o momento em que o citadino “sentiu na pele” a tradição dos festejos do Carnaval em Águas Frias.
..............
 
Claro que não deu azo a nova descarga, pois, ... foi vê-lo correr, galgar as escadas e acomodar-se na varanda do “Parente”.
 
Mas os caretos vinham ainda munidos de mais material carnavalesco para brindar os participantes. Pois sempre que apanhavam “a jeito” atiravam com farinha, cinza que misturavam com formigas.
 
Mas não eram formigas quaisquer, pois já antecipadamente, andaram à procura das maiores, daquelas que em contacto com o corpo, não o deixavam sossegado.
 
Era deveras divertido: caretos e “atrevidos” em correria; os incautos "mascarados" de farinha e/ou cinza e ainda outros, contorcendo-se com as ferroadas das formigas e tentando, de todos os modos, eliminá-las.
 
Foi uma tarde, divertida e como diz o ditado “É Carnaval, ninguém leva a mal”.
 
 
Assim, recolho da minha memória recente, de como eram os festejos de Carnaval.
................. 
 
Actualidade:
Passados estes anos, lá voltou, o agora "tripeiro transmontano", a Águas Frias para passar uns dias e “ver” como seria este ano o Carnaval.
 
“Carne Vale”, foi o que valeu e ainda vale.
 
Os recos ainda se vão criando pela Aldeia, ainda se fazem as “matanças”, ainda se fazem os belos enchidos e se curam as carnes ao fumo ou em sal. Essas tradições ainda vão subsistindo (com tendência a escassear) e que dão origem à matéria-prima para os bons repastos no Domingo e Terça-feira de Carnaval.
 
Até o colesterol e as diabetes se disfarçam sob o efeito do tinto (diz-se, por estas bandas, que este dilui as gorduras).
 
Quem é que resiste, nestes dias?
 
Afinal, esta tradição ainda se mantém, para bem do paladar (isto sim, são “saberes e sabores”).
 
E os caretos?
 
Percorri toda a Aldeia, de ponta a ponta: o Conselho vazio e caretos… nem um.
 
O "Conselho" antigamente cheio de gente, agora ....
 
 A tradição dos festejos carnavalescos, em Águas Frias, finou-se?...
 
Largos e ruas, outrora cheias de movimento, som e cor; agora silenciosas e vazias ...
 
 
O Entrudo terminou, mas tal como no calendário cristão, segue-se um período de espera e reflexão até à Ressurreição.
Esperemos que este momento de interrupção da tradição, seja um período de "Quaresma" e que depois dela ressurja, no próximo(s) ano(s) com o esplendor de outrora.
 
O Largo da Junta de Freguesia, em Agosto estava repleto de gente nas Festas de S.Pedro; agora no Carnaval ...
 
 
Até lá ficamos com a “Carne Vale”.
 
 Nota: Não tenho qualquer registo dos Carnavais passados, pois não me fazia acompanhar de máquina fotográfica.
Agora que ando sempre com ela no bolso, só consegui que a objectiva me mostrasse ruas vazias.... ou quase!
 

 

Apenas a "Mecha" , no centro do Conselho, parece, no seu olhar atento, esperar que "algo" aconteça. e continuou à espera, deitada ....
Mário Silva 📷

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